Escravidão no Brasil hoje?

João Pedro Stédile: Quem pode apoiar isso?

Ruralistas impedem votação de lei contra quem escraviza trabalhador

http://odia.terra.com.br/portal/conexaoleitor/html/2010/6/joao_pedro_stedile_quem_pode_apoiar_isso_86345.html

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra

Rio – O trabalho escravo foi utilizado pelo capitalismo comercial durante quatro séculos para explorar nosso povo e acumular muita riqueza. Foi preciso muita luta, revoltas e fugas até a liberdade.

No Século XX, introduziu-se o trabalho assalariado. As greves e novas leis ajudaram a humanizar a exploração que continuava. Mas, nas últimas duas décadas, dezenas de fazendeiros de todo o País voltaram a utilizar o trabalho escravo como forma de acumular ainda mais riquezas.

Durante o governo Lula, a Polícia Federal tem agido com mais rigor. Nos últimos oito anos, foram libertados cerca de quatro mil trabalhadores ao ano. Foram encontrados trabalhadores sem salários, locais inadequados para dormir e sem saneamento básico. Muitos doentes. Só recebiam comida.

Parlamentares progressistas apresentaram uma proposta de lei, que pune com desapropriação as fazendas que tiverem trabalho escravo. Passou no Senado, em duas votações. Foi para a Câmara.

Desde 2004, está parada porque os ruralistas impedem. São a favor do trabalho escravo e seus partidos se calam. Foram encontrados casos de escravidão em todos os estados do Brasil. No Rio de Janeiro, em 2009, foram libertos 712 trabalhadores das usinas de cana de açúcar, no Norte fluminense.

Na semana passada, foram ao presidente da Câmara pedir explicações três ministros, vários artistas e representantes de entidades da sociedade. Deixamos mais de 100 cruzes no pátio do Congresso representando as fazendas com trabalho escravo.

Houve pouca repercussão na imprensa, que se calou diante dessa vergonhosa situação. A escravidão é inaceitável. A burguesia brasileira a usa há 500 anos!

Sobre CCBregaMim

Classe média. Não sai da gente. Mas melhora, se a gente estiver disposta a abandonar nosso lugar na opressão.
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