PIG apela para perito suspeito ao defender farsa do Serra

veja os vídeos do incidente

Redação do Gterra, 05/08/2009 às 15h54min

Perito que deu laudo favorável a Zuleido e Sarney trabalha a soldo de acusados

Desrespeito sistemático de Ricardo Molina ao trabalho dos peritos oficiais já provocou reações iradas da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais

Foto: JP Ricardo Molina: deboche e desrespeito aos peritos oficiais
Ricardo Molina: deboche e desrespeito aos peritos oficiais 

O clã Sarney e o famigerado empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama (investigado na Operação Navalha por fraudes em licitações de obras públicas), não poderiam ter encontrado pessoa pior do que o perito Ricardo Molina de Figueiredo para tentar desqualificar um trecho das gravações da Polícia Federal que comprova o envolvimento do senador José Sarney com Zuleido.

Num dos diálogos, “grampeados” com autorização judicial, Zuleido diz “Vou chegar na casa do Sarney, já, já”. Molina registrou em laudo que a voz não é de Zuleido, apesar de o restante da gravação comprovar translucidamente o contrário. A revista IstoÉ desta semana publicou reportagem sobre o laudo, que foi destaque, também, na edição de domingo do jornal da família Sarney no Maranhão.

Esse laudos “do contra” – quase todos encomendados – fazem parte do histórico de Ricardo Molina. O perito se notabilizou por realizar laudos solicitados por delinqüentes endinheirados, sempre concluindo a favor deles e contra a perícia oficial, da PF.

“Bandido que tem uma boa condição financeira contrata logo o perito Ricardo Molina. O resultado é sempre o mesmo: a polícia, despreparada e precipitada, não soube trabalhar direitinho”, afirmou um perito da Polícia Federal em seu blog.
Entre os ex-clientes de Ricardo Molina, está o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, presos desde maio de 2008 sob a acusação de assassinato da menina Isabella, filha de Alexandre, ocorrido em março de 2008. Depois de concluir seu laudo livrando o casal, sem qualquer base científica, da responsabilidade em relação à queda da criança do 6º andar de um prédio em São Paulo, Molina deu declarações debochadas à imprensa sobre o trabalho dos peritos oficiais da polícia. “Os peritos do caso Isabella estão igual cachorro correndo atrás do próprio rabo”, afirmou.

Recentemente, foi o megaembusteiro Daniel Dantas – condenado pelo juiz Fausto de Sanctis a dez anos de prisão por corrupção ativa – que recorreu ao miraculoso perito Molina. Em um prazo ínfimo (como no caso de Zuleido Veras), o perito afirmou “taxativamente”, sem apoiar-se em nenhum argumento técnico de peso, que não era de Humberto Braz, fiel escudeiro de Daniel Dantas, a voz ouvida numa gravação, na qual Braz tentava subornar o delegado da Polícia Federal, Victor Hugo Ferreira.

O desrespeito sistemático de Ricardo Molina ao trabalho dos peritos oficiais já provocou reações iradas da principal entidade de classe dos profissionais – a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF).

Em meados do ano passado, depois de uma entrevista de Molina à revista Consultor Jurídico, na qual ele mais uma vez quis desqualificar o trabalho dos peritos oficiais (sempre invalidado, segundo Molina, por “falhas técnicas” e até “fraudes”), o presidente da APCF, Octavio Brandão Caldas Netto, disse: “As afirmações de Molina não encontram embasamento, algo que é inaceitável para quem se apresenta como especialista em áreas que demandam conhecimento bastante específico”.

A entidade teceu, ainda, os seguintes comentários – entre outros – sobre Ricardo Molina:

1. O sr. Ricardo Molina não é perito oficial. É apenas auxiliar técnico do acusado, contratado por este. Sem entrar especificamente na questão da integridade dele ou de qualquer outro assistente técnico, é muito mais confiável, e a sociedade entendeu assim, ao criar a figura do perito oficial no CPP, um corpo de funcionários públicos, pagos pelo contribuinte, para analisar o corpo de delito e elaborar o respectivo laudo oficial. A ação independente da perícia oficial não tende nem para a acusação, nem para a defesa, mas busca apenas ser fiel à verdade factual. Já o auxiliar técnico contratado é pago pelo acusado. Essa situação, no mínimo, fragiliza a isenção dos auxiliares.

2. Do mesmo modo que Ricardo Molina desafia a perícia da PF a detectar edições em arquivos por ele manipulados, o desafiamos a provar cientificamente que houve uma única edição fraudulenta em qualquer arquivo de áudio fruto de interceptação telefônica da PF.

3. O sr. Ricardo Molina é músico e, ao que nos consta, não tem formação técnica para afirmar o que ele divulga a respeito de sistemas de telecomunicações. Talvez seja esse o motivo pelo qual muitos de seus quesitos técnicos tenham sido incoerentes. Questionamentos fundamentados são importantes para o esclarecimento de pontos que porventura suscitem dúvidas; porém, antes de dizer inverdades, quem realiza o questionamento referente à análise do corpo de delito deve estudar o assunto e respeitar os profissionais isentos do Estado que elaboram os laudos. Os peritos oficiais não recebem honorários do acusado, nem deixarão de perceber seus salários se as conclusões de seus laudos demonstrarem que os vestígios apresentados à perícia não são suficientes para uma prova material robusta.

Ricardo Molina, atualmente com 52 anos, sempre preferiu trabalhar em casos de repercussão nacional – que lhe garantem os holofotes da mídia, segundo seus críticos –, como a morte do empresário Paulo César Farias, o PC; a Chacina de Eldorado dos Carajás; o crime da Favela Naval e o acidente que matou os integrantes da banda Mamonas Assassinas.

Em 2001, ele foi demitido da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), por supostas “irregularidades administrativas”, entre elas, uso indevido de verba pública.

21/10/2010 – 21h31

Perito diz que rolo de fita crepe feriu Serra durante tumulto no Rio

Do UOL Eleições Em São Paulo
Perito diz que rolo de fita crepe feriu Serra durante tumulto no Rio

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi atingido por uma bola de papel e um rolo de fita crepe, em momentos distintos de uma caminhada na quarta-feira (20) pelo bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro. A afirmação é do perito Ricardo Molina, ex-professor da Unicamp e que investiga casos polêmicos há décadas, à TV Globo.

De acordo com ele, o vídeo do SBT que mostra uma bola de papel acertando a cabeça do tucano não corresponde ao momento em que ele acusou ter sentido um golpe mais forte. O incidente que teria levado o candidato a se consultar com um médico mais tarde, diz Molina, foi provocado por um rolo de fita crepe.

O perito tomou por base as imagens captadas SBT e outras feitas pelo celular de um repórter da Folha de S.Paulo, desfocadas. “São dois eventos completamente diferentes. Um é o evento bolinha e o outro é o evento rolo de fita”, afirmou o perito ao Jornal Nacional nesta quinta-feira (21).

Ele disse também que são diferentes as partes da cabeça de Serra atingidas pelos objetos. Nenhum deles foi recolhido por pessoas que estavam no local e não há imagens nítidas para definir o que aconteceu.

Imagens

Mais cedo, a assessoria de imprensa de Serra negou (21) que o tucano tenha sido atingido apenas por uma bola de papel. Um vídeo do SBT exibe esse momento, durante o tumulto. Citando essas imagens, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) criticaram o tucano. O programa da petista no horário eleitoral obrigatório também fez referência ao que chamou de “teatro” do presidenciável tucano.

Segundo a assessoria tucana, Serra foi atingido duas vezes, pela bola de papel e, num outro momento, por um outro objeto mais pesado. Não há imagens nítidas que mostrem o candidato sendo atingido por um objeto.

“Esclarecemos que a imagem que o SBT veiculou e o UOL registra em sua home como sendo a do momento da agressão ao candidato José Serra, ontem, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, foi gravada no início da caminhada, 15 a 20 minutos antes de que ocorresse o arremesso do objeto que efetivamente motivou a interrupção da agenda”, informou.

Após o incidente de quarta-feira (20), Serra cancelou sua agenda no Rio de Janeiro e fez exames com um de seus médicos de confiança, Jacob Kligerman, secretário da Saúde na gestão do ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia (DEM). O médico recomendou repouso ao tucano por 24 horas.

Nas imagens do SBT, um objeto semelhante a uma bola de papel atinge Serra na cabeça. O tucano prossegue sua caminhada, da qual desistiria mais tarde, depois do acirramento do confronto entre petistas e seguranças de sua campanha. A emissora liga as imagens do candidato com as mãos na cabeça a um telefonema que recebeu.

O UOL Eleições encaminhou perguntas sobre o incidente à assessoria de imprensa de Serra, para esclarecer dúvidas pendentes sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Testemunha

Aliado do presidenciável, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) estava ao lado dele durante o incidente em Campo Grande. Questionado pelo UOL Eleições sobre se tinha visto algum objeto acertar a cabeça de Serra durante o trajeto, ele respondeu: “Não”. “Me preocupei com a cabeça dele”, afirmou.

O deputado disse que o incidente durou cerca de cinco segundos e que as imagens do SBT mostram momento diferente da caminhada. “Eu estava ao lado dele e vi que ele colocou a mão na cabeça na hora, sentiu dor. Disse que estava tonto, e os seguranças o protegeram para que entrasse na van. Aparentemente estava um pouco inchado, mas não tenho condições de avaliar”, disse.

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2 respostas para PIG apela para perito suspeito ao defender farsa do Serra

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  2. Lucião disse:

    Minha esposa lembrou que a avó dela, no início do século passado, na cidade de Porangaba, interior paulista, já dizia que uma bola de papel nunca cai duas vezes no mesmo lugar.

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