lições de submissão: de mulher para mulher

Como acontece diariamente nos manuais de comportamento na internet ou em revistas femininas, com o pretexto de ajudar as mulheres a realizar seus supostos desejos (e seus desejos vão assim sendo construídos), mulheres ensinam mulheres a serem submetidas.

O texto que reproduzo abaixo não é um exemplo especial, só que deu vontade de desconstruir seu discurso. O pior não é o que o texto diz explicitamente a respeito da relação entre homens e mulheres. E às vezes diz coisas horríveis… O pior é o que pressupõe, as verdades anteriores que são reproduzidas sem pensar.

Então a felicidade da mulher é o casamento. Esse é principal mistério a ser resolvido sobre um novo relacionamento: será que esse homem vai querer casar comigo? Não se discute que espécie de mulher é essa que se põe voluntariamente tão vulnerável diante do desejo masculino. Então ela não pode errar, já que se fizer tudo certo terá uma chance de amarrar o seu homem no pé da mesa… Mas, mesmo que faça tudo certo, o homem poderá sempre, a qualquer momento, virar as costas e partir.

(Não admira que os homens saiam de fato correndo diante dessas mulheres “chave de cadeia”…)

Para solucionar suas dúvidas mais “cabeludas” o texto defende que a mulher use ardis, artimanhas, com o brilhante objetivo de descobrir se o namoro que acabou de começar pode terminar em casamento. Isso o texto disfarça até o item 7, quando finalmente a mulher poderá saber como tocar no tão esperado assunto…

A mulher precisa saber se o seu parceiro não é gay ou bissexual. E se for? O texto não discute os motivos que levariam a esse tipo de pergunta… Preconceito?

Por que uma mulher precisa saber quanto ganha o namorado? Dizer a ele que a roupa dele é brega? Criticar os seus amigos?

O poder que se incentiva que as mulheres exerçam sobre os homens é na verdade a base de sua submissão. Então a mulher pretende ser sustentada pelo futuro marido… A primeira condição que ela irá assumir, assim que puder, será a dependência e a tutela masculina? Ela decide qual emprego é adequado e quanto ele tem que ganhar para sustentar a futura família que eles deverão constituir.

A mulher pretende ainda escolher as amizades do marido, comprar suas cuecas e decidir suas roupas no futuro.
Transformando o marido em uma marionete manipulável, a mulher se encaminha para o aprisionamento mútuo chamado casamento. Quanto mais ela estiver vulnerável a esses manuais de comportamento feminino, quanto maior for a sua competência para realizar na vida real essas dicas bizarras, mais certa será sua infelicidade… (Claro, quem é capaz de amar uma marionete?)

O que é ainda muito assustador é o fato de que o texto pretenda interferir na comunicação do casal. Afirma que a mulher, por sua franqueza, é inábil por natureza e deve corrigir seus modos. Então sugere que ela falseie suas verdadeiras intenções, simule um desinteresse que ela não tem e inclua as questões importantes de seus relacionamentos em conversas banais… Manipule, minta, disfarce, simule… e o relacionamento entre duas pessoas íntegras seguramente não existirá.

O texto sugere, no fundo, por trás de tudo isso, que a mulher não tem competência linguística para lidar com a sua vida íntima. Assim, o manual de comportamento acaba por invadir todas as esferas de sua intimidade. Se a mulher deve seguir conselhos e não a si mesma, então essa é a base de sua submissão. Como, aliás, sempre foi. Pela educação a mulher é controlada, reprimida, autodisciplinada. Os manuais de comportamento invadem sua sexualidade, seus desejos, ditam-lhe objetivos e agora determinam sua expressão

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30/10/2010

Dez perguntas difíceis (mas não impossíveis) de fazer para o namorado

Heloísa Noronha no UOL

  • Getty Images Escolha adequada da linguagem, um tom desinteressado na voz e uma postura de absoluta neutralidade são algumas estratégias na hora de perguntar

Nós, mulheres, temos mania de falar sobre tudo em nossas rodinhas – às vezes, com uma sinceridade alarmante. Para os homens, porém, certos assuntos são verdadeiros tabus. Por outro lado, o sexo feminino tem como uma das principais características a curiosidade extrema. Em um relacionamento, é comum que uma garota não sossegue enquanto não descobrir tudo o que deseja sobre o amado – inclusive os assuntos que ele mais detesta falar. Para fazê-lo abrir o jogo, entretanto, nem sempre o ataque direto é a melhor solução. “Para fazer perguntas indiscretas sem ofender ou parecer muito inconveniente é preciso muita habilidade. Não é trabalho para amadoras, tem de ser ‘ninja’ na arte de dialogar e envolver”, ressalta Mara Lúcia Madureira, psicóloga especialista em psicoterapia cognitivo-comportamental, de São Paulo. Pode-se apelar para uma mescla de recursos e estratégias, como a escolha adequada da linguagem, um tom desinteressado na voz e na forma de expressão, uma postura de absoluta neutralidade e muitas artimanhas. O principal segredo é saber conduzir a conversa para a obtenção de tais respostas. Selecionamos dez perguntas “cabeludas”, em menor ou maior escala, e dicas de abordagens certeiras. Confira!

1. “Você já fez teste de HIV?”

Para a analista de mídia Giovanna Lopes, de 25 anos, essa pergunta nem deveria ser considerada um tabu, já que se trata de um assunto de “saúde e utilidade pública”. “Entendo, porém, que muitas garotas tiveram uma educação rígida. Outras sentem medo de que o cara pense que tem um passado promíscuo”, opina. Ela fez essa pergunta ao atual namorado recentemente de um modo muito natural. “Disse que tinha que acordar cedo no dia seguinte para fazer uma série de exames, entre eles o de HIV. Aproveitei e perguntei se ele já tinha feito”, conta. Giovanna acha que não adianta só cobrar essa atitude do parceiro. “A mulher deve fazer o exame também, como exemplo e prevenção”, salienta.

2. “Quanto você ganha?”

A dica da psicóloga Mara Lúcia Madureira é criar uma situação para neutralizar as defesas. Ela sugere iniciar a conversa com um texto mais ou menos assim: “Você já ouviu falar em ‘finançofobia’? Descobri que algumas pessoas sentem fobia ao pensar em suas finanças. Fico pensando no quanto sofrem pessoas com tais problemas. Eu acho que falar sobre finanças é uma condição indispensável para o bem-estar do indivíduo em qualquer relação afetiva. Imagine que duas pessoas decidam namorar e não estejam dispostas a falar sobre seus ganhos. Como poderão escolher os programas e evitar constrangimentos sem que um saiba a real condição do outro? Se um relacionamento assume o status de namoro, entende-se que as pessoas estejam dispostas a ser transparentes, não é mesmo?” Daí para a pergunta fatal, é um pulo.

3. “Você já sentiu atração por outro homem?”

Convenhamos: a verdadeira intenção dessa pergunta é saber se o sujeito teve (ou tem propensão a ter) alguma experiência homossexual. Perguntar na lata faz que qualquer homem fique fulo da vida. Então, que tal tentar (sim, tentar, porque se a resposta for positiva, ele não vai confirmar nem sob tortura) um joguinho do tipo: “Se você fosse mulher, quem você acharia o cara mais gato de “Passione”? O Cauã Reymond, o Reynaldo Gianecchini ou o Rodrigo Lombardi?”. Se ele ficar bravo, fique tranquila. Se ele responder “o Cauã, porque vem a Grazi de brinde”, fique mais tranquila ainda. Qualquer outra resposta é perigosa… Mas, convenhamos, provavelmente nunca você vai saber a verdade, mesmo.

4. “Você vai sair com essa roupa?”

Essa pergunta sempre cria confusão. Para evitar encrenca, em vez de detonar o look do moço, a consultora de moda Milla Mathias, de São Paulo, sugere elogiar alguma outra peça do guarda-roupa dele. Que tal comentar que fica louca de desejo quando ele coloca aquela calça moderna cinza (em vez daquele jeans rasgado dos anos 90 que ele insiste em manter no closet)? “Você também pode dizer que adora quando ele usa verde e, portanto, ele poderia escolher essa cor no lugar do azul”, aconselha a consultora.

5. “Você poderia usar menos perfume?”

Resfriado, rinite, sinusite, desvio de septo, ausência total de olfato ou um enorme esforço em agradar a namorada são alguns dos prováveis motivos que levam um homem a exagerar nas borrifadas de perfume sem perceber o crime que está cometendo. Sugerir um banho pode soar extremamente ofensivo. O jeito é, segundo a consultora Milla Mathias, mais uma vez investir nos hormônios do rapaz. Vá de: “Adoro beijar seu pescoço, porque o seu cheiro natural me enlouquece. Você não acha que muito perfume atrapalha?”. Pode apostar: na próxima vez, se ele ainda insistir em usar alguma fragrância, ela estará bem mais suave.

6. “Por que você não arruma amigos melhores?”

Taí a pergunta que, de toda a lista, se você fizer à queima-roupa mais chances tem de deixar qualquer sujeito enfurecido. Para a ala masculina, os amigos são tudo – em alguns casos, até mais importantes que a família. E pense bem: você não gostaria que ele fizesse a mesma pergunta para você, não é mesmo? Caso um ou outro amigo seja mesmo insuportável – ou uma péssima companhia –, tente tratar o assunto com sutileza. Você pode, por exemplo, perguntar como o seu querido ainda consegue dar risada das piadas enfadonhas daquele colega, já que é tão evoluído e inteligente.

7. “Você planeja se casar comigo?”

Em caso de um romance super recente, é óbvio que esse tipo de pergunta é impertinente. A psicóloga Mara Lúcia Madureira aconselha começar com uma investigação do histórico do moço: “Você já foi casado/noivo alguma vez?” Não demonstre ciúme, ira, ou qualquer emoção que comprometa a veracidade da resposta. Na hipótese da resposta afirmativa pergunte o que ocorreu para não ter dado continuidade nos planos. Em caso de negativa, pergunte o motivo. Ouça atenta e respeitosamente. “Lembre-se de que isso pode revelar muito sobre seu atual parceiro.

Não se antecipe com novas perguntas sem antes ouvir toda a explicação”, avisa a especialista. Para relacionamentos mais duradouros, vale a pena fazer a pergunta de um modo bem implícito. Por exemplo, questionando qual é a idade que ele considera ideal para casar. Faça as contas da idade atual dele e veja se corresponde às suas expectativas. Porém, continue na sua. Próxima pergunta: qual o perfil ideal de mulher para você se casar? Veja em quantos itens você se encaixa ou se não se encaixa em nenhum. “No caso de corresponder à descrição, pergunte se você é uma candidata elegível. No segundo, não há alternativas, senão disparar: ‘O que faz com que você continue comigo?’ Se no meio do diálogo ele perguntar se você tem intenções de se casar, dê um sorriso bem espontâneo e diga, com uma boa dose de bom humor: ‘Sim, mas primeiro preciso conhecer bem os candidatos e, no seu caso, considero a ideia de namorar um pouquinho mais!’”.

8. “Por que você não arruma um emprego melhor?”

Para Juliana Camargo, instrutora da Escola do Feminino, em São Paulo, o truque é valorizar os pontos fortes do namorado, em vez de criticá-lo por optar em ficar em uma empresa que não o valoriza. Ela dá um bom exemplo de como fazer isso: “Você tem muito potencial, é um homem trabalhador e competente, é o meu herói! Você acha que este emprego irá valorizar o seu trabalho e esforço?”. Ele, com certeza, vai refletir.

9. “Por que sua mãe me olha de maneira estranha?”

Mãe é um tópico sagrado. “Aborde o assunto com jeitinho, sem classificar a suposta sogra como megera. Use o clássico estilo de ‘comer pelas bordas’ e assuma a responsabilidade pela antipatia da senhora”, sugere Juliana Camargo, da Escola do Feminino. Tenha em mente que nem sempre fazemos escolhas que agradam nossos pais. Especialmente quando nos amam demais, eles invariavelmente têm a sensação de que nunca estamos com a pessoa certa e podemos sempre encontrar alguém melhor. Um bom método para abordar o assunto com o amado é: “É impressão minha ou eu não conquistei a simpatia da sua mãe? Existe algo no meu comportamento que a desagrada? Há algo que eu possa fazer para melhorar a impressão negativa que eu possa ter causado?”. Você vai ganhar pontos com ele e, se tudo der certo, até com a futura sogra.

10. “Você já foi traído?”

A primeira opção, segundo Juliana Camargo, é tocar no tema em um papo-cabeça, entre perguntas do tipo “Qual foi o momento mais feliz da sua vida?”, “O que você espera do futuro?” e (arrá!) “O que para você foi mais difícil de aceitar em uma mulher?”. “Outro modo é falar sobre o assunto durante um filme em que aconteça uma traição, por exemplo”, sugere Juliana, que aponta como terceira opção uma brincadeira lúdica, do tipo “Strip Pôquer”. Cada vez que alguém contar a verdade, tira uma peça de roupa. Entusiasmado, provavelmente ele não vai ter coragem de mentir, caso tenha sido traído.

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Uma resposta para lições de submissão: de mulher para mulher

  1. Lucião disse:

    Dicas machistas e babacas (desculpe a redundância) de relacionamento feito por mulheres, selecionados por outra mulher. Uma vergonha!
    Isto tem a cara da elite paulistana: odeiam a ideia que o mundo está dividido em classes sociais que disputam espaço na sociedade, mas adoram definir papeis e mitos: mulheres devem ser submissas, elas podem trabalhar, mas apenas para ter seus mimos. Negros tem ritmo e são iguais, concidentenmente correspondem a maior parte da população pobre do país. Nordestinos são bacanas, um pouco preguiçosos. E assim, rotulando a tudo e a todos, evitam que as coisas mudem.

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