pode o que?

publico resposta de um amigo ao post anterior
onde faço uma crítica ao casamento:

concordo,
sim os filhos são imensa felicidade,
mas não são nossa vida.
ser
viver o presente
é também a melhor forma de educar…

e o presente é corpo
presença no corpo
experiência.

o casamento é acordo
e pode ser feliz
mas nos tira do presente
da presença das pessoas
com suas leis preestabelecidas
sendo célula de proteção ao mundo
limitando todas as outras relações…

mais difícil é pra mulher
(e pro homem)
que não mente não trai
não sai não vai não é…

então eu digo, reafirmo,
sim, a mulher pode
ser dona de seu corpo
e de seu desejo.

Amiga CC,

Peço licença de pontuar algumas coisas. Pensei em colocar no seu post. Mas, na dúvida, resolvi deixar aqui.

Manter-se na linha é uma forma de opressão? Manter-se na linha só é uma forma de opressão se você for obrigado a manter-se na linha. Da mesma forma, se eu busco o autocontrole isto não é violência, mas uma opção minha. Opções que tomamos, isentas de vícios de vontade, não podem ser consideradas violências, por piores que forem as consequências destas decisões.

Talvez esteja aí a questão fundamental: o problema está em como as regras do relacionamento são pautadas. Elas são definidas pelo casal ou impostas pela sociedade?  Tudo que for definido pelo casal, como legitima manifestação da sua vontade, não deve ser considerado violência, inclusive suas consequências. Não acho que as pessoas sejam obrigadas a ter um filho. Resolveram ter? Pois é você está obrigada a cria-lo, trabalhar para o seu sustento e todas as consequências decorrentes desta decisão.

Particularmente, sou contra estas imposições de papel e conduta. Mas acredito que o casal possa definir suas regras de relacionamento.  E regras que valem para os dois, homem e mulher com direitos absolutamente iguais, não tem esta de um ser fiel e o outro “dar escapadelas”.  Por exemplo, eu não conseguiria participar de um casamento com mentiras e traição. Também não conseguiria participar de um casamento aberto, onde as atividades extraconjugais não são consideradas traição – talvez por falta de maturidade ou autoconfiança ou sei lá o que, mas esta é outra história.  O fato é que apesar de não me servirem, são formas de convivência que não condeno, cada casal deveria definir suas regras.

Por isto não vejo o problema na fidelidade, no casamento, na minha filha, fontes de violência, opressão ou tristeza. Pelo contrário são minha maior fonte de alegria, inspiração e liberdade. Mas reconheço que para muitos os significados são diferentes. Enfim, é algo parecido com o fogo, pode fazer um bom churrasco, mas pode causar incêndio.

Tudo isto foi para fazer dizer, que, ao contrário do que costumo ler, desta vez não entendi seu texto. Talvez ele seja para não ser entendido, ou seja simplesmente um exercício de reflexão da autora, ou talvez eu esteja com dificuldades de ver as coisas com óculos diferente do meu dia a dia. Por isto escrevi, para compartilhar este sentimento de dúvida que seu texto causou: enfim, a mulher pode o que?

Abração,

Lúcio.

(Em resposta ao meu sim, mulher pode!)

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Sobre CCBregaMim

Classe média. Não sai da gente. Mas melhora, se a gente estiver disposta a abandonar nosso lugar na opressão.
Esse post foi publicado em chega de machismo, INTERPRETAÇÃO, textos.brega.mim e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para pode o que?

  1. Lucião disse:

    Concordamos…

    … educar é uma obrigação dos pais. A palavra pode ser feia, mas podemos fazer de forma prazeirosa. Viver o presente pode ser uma maneira.

    … casamento é acordo. Por isto mesmo, se as coisas não estão indo bem, podemos mudar as “regras” do acordo. Continua não indo bem, podemos pensar se vale a pena manter o acordo. E fodam-se o que “as tias velhas” vão dizer.

    … não dá para admitir relacionamento onde um não sai, vai ou trai e o outro não compartilha deste valor. Se o acordo é este, precisa ser revisto. Se o acordo foi quebrado por um único lado, geralmente o dos homens, isto deve ser considerado traição em último grau. Ou todo mundo pode ter suas aventuras e, neste caso não há traição (e apesar de não conseguir viver com este tipo de acordo, tudo por culpa de uma total limitação do meu ser, parabéns para quem conseguir), ou ninguém trai e concentram sua energia na renovação e inovação do relacionamento.

    … todos podemos e devemos ser donos do nosso corpo e desejo. Infelizmente os homens, em regra, acreditam que esta regras só se aplicam a eles. E aí sou obrigado a ajudar no coro: sim a mulher pode!

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