imprensa apoia perseguição política ao Wikileaks

Observe como a notícia,
produzida por agências internacionais e publicada pelo Estadão,
relata com naturalidade a busca jurídica de motivos para prender Julian Assange
ou seja, ele não é criminoso
mas os EUA e outros países, com a ajuda da imprensa
buscam meios artificiosos de enquadrá-lo como criminoso
talvez a reportagem revele mais sobre a imprensa
e seu compromisso com a política americana
do que sobre Assange e o Wikileaks…
[cc]

Foragido, fundador do WikiLeaks teria como trunfo ‘revelação-bomba’

O australiano Assange – que estaria na Grã-Bretanha, segundo jornal – pôs no site um arquivo criptografado que reuniria os segredos mais importantes que recebeu; de acordo com especulações, os documentos serão divulgados caso alguma coisa aconteça com ele

03 de dezembro de 2010 | 0h 00

LONDRES

Julian Assange, homem mais procurado do momento, estaria no sudeste da Grã-Bretanha, segundo o jornal The Times. Seu advogado, Mark Stephens, e fontes policiais britânicas confirmaram que as autoridades do país sabem onde ele se encontra – a Scotland Yard teria até seu número de telefone -, mas ainda não haviam recebido o sinal verde para sua captura.

A autorização depende da agência britânica que atua contra o crime organizado (Soca, na sigla em inglês), que percebeu um erro na redação da ordem de prisão da Suécia, onde Assange é acusado de estupro. A polícia sueca reconheceu o erro e afirmou ter reenviado o pedido.

O fundador do WikiLeaks teria colocado no site o arquivo “insurance.aes256”, de 1,4 gigabytes, criptografado com o sistema mais avançado do mundo, o mesmo usado pelo governo dos EUA. O arquivo ultrassecreto, segundo se especula, seria uma espécie de “seguro de vida” de Assange, para ser revelado caso alguma coisa aconteça com ele.

Nem o WikiLeaks nem Assange deram detalhes sobre o arquivo misterioso. Recentemente, em entrevista a uma jornalista americana que o questionou sobre o tema, ele se esquivou. “Melhor não comentarmos sobre isto. Mas, em uma situação dessas, é melhor segurar as informações mais importantes para que elas não se percam.”

As especulações incendiaram a web. Segundo a revista Wired, o soldado Bradley Manning, apontado como o responsável pelo vazamento, teria enviado a Assange mais documentos do que os cerca de 251 mil que o WikiLeaks diz ter recebido. Os mais importantes estariam reunidos no arquivo criptografado.

Defesa. Assange, de 39 anos, é australiano, mas vive entre a Suécia e a Grã-Bretanha. Em agosto, pouco antes de anunciar que revelaria documentos secretos sobre a guerra no Iraque, ele foi acusado de estupro por duas mulheres suecas. De maneira confusa, a Justiça local abriu uma investigação, engavetou o processo e reabriu novamente o caso.

Os advogados do fundador do WikiLeaks dizem que ele é inocente e quer cooperar com a Justiça, mas os promotores suecos se recusam a ouvi-lo. De acordo com Stephens, Assange é apenas “suspeito” de “má conduta sexual”, mas não teria ainda, segundo ele, nenhuma acusação formal contra si na Suécia.

“Ainda não nos disseram quais são as acusações contra ele. Sabemos apenas que ele ainda não foi acusado formalmente, que ele é apenas procurado como testemunha”, afirmou o advogado. “Também sabemos que a suposta acusação seria a de “sexo de surpresa”. Eles nem sequer nos explicaram o que é isto. Seja lá o que for, não é um crime na Grã-Bretanha.”

Outros processos. Ontem, a Suprema Corte sueca recusou um recurso apresentado por Bjorn Hurtig, advogado de Assange na Suécia, e confirmaram a ordem de prisão. “Não há motivos para examinar o recurso”, afirmou, em comunicado, a mais alta instância do Judiciário do país, conhecido por sua rigorosa legislação antiestupro.

Enquanto a Suécia tenta obter a prisão de Assange, outros países estudam meios de processá-lo. O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, confirmou que o Departamento de Justiça analisa a possibilidade de acusá-lo criminalmente. Juristas americanos, no entanto, afirmam que seria muito difícil construir um caso contra ele.

O caminho jurídico cogitado até o momento é enquadrar Assange na Lei de Espionagem. O problema é que a lei é de 1917, anterior a casos julgados pela Suprema Corte americana que estenderam as garantias e direitos assegurados pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que trata da liberdade de expressão.

Outra dificuldade, de acordo com juristas dos EUA, seria comprovar a relação entre a divulgação de documentos secretos pelo WikiLeaks e o risco à segurança nacional americana. / REUTERS, NYT e AP
PERFIL
Julian Assange,
Fundador do WikiLeaks

Australiano já teve problemas com a Justiça

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, nasceu em 1971 em Townsville, Queensland, no norte da Austrália, e tem um passado pouco conhecido, mas com alguns registros de problemas com a Justiça. Descrito por seus fãs como um “combatente pela verdade” e pelos críticos como alguém que só busca publicidade pessoal, Assange foi acusado, em 1995, de invadir uma série de sistemas na internet. Na época, ele se declarou culpado e escapou da prisão ao pagar uma multa. Assange, que é formado em Física e Matemática pela Universidade Melbourne, também é acusado de estupro e assédio sexual na Suécia – acusações que, segundo ele, “têm motivação política”.

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Sobre CCBregaMim

Classe média. Não sai da gente. Mas melhora, se a gente estiver disposta a abandonar nosso lugar na opressão.
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