E o mensalão nunca existiu..

do escrevinhador:
http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/jefferson-pai-do-mensalao-nega-tudo-quem-vai-pedir-teste-de-paternidade.html

Pai do “Mensalão” nega tudo – quem vai assumir a paternidade?

publicada quinta-feira, 15/09/2011 às 19:17 e atualizada segunda-feira, 19/09/2011 às 12:42

por Rodrigo Vianna

Foi pelo twitter que recebi a notícia: o @emeluis anunciava (entre irônico e estupefato) que a defesa de Bob Jefferson apresentada ao STF já estava disponível na internet, num site especializado em assuntos jurídicos. Fui olhar, e chamou-me atenção o último parágrafo: “Sobre a acusação do MP, a defesa de Jefferson seguiu o mesmo tom dos demais acusados: é incompleta e faltam provas. Trata-se, segundo a petição, de uma acusação “puramente retórica” e “sem argumentos fáticos”. Não há na acusação, segundo a defesa de Jefferson, nada que prove a existência do mensalão, ou de algum esquema de lavagem de dinheiro para a compra de votos parlamentares.” (grifo meu, RV).

Dividi com os leitores no twiter minha surpresa: ora, se Bob Jefferson (que era o principal denunciante do chamado “Mensalão”) nega que haja provas do referido esquema, então sobra o que? Claro, sobram evidências de caixa 2 na contabilidade petista, e nas estranhas relações com Marcos Valério. Caixa 2 é ilegal.  E deve ser punido. Mas é muito diferente de “Mensalão” –  esquema sistemático de compra de votos no Congresso, como dava a entender Bob Jefferson na tal entrevista à Folha que foi serviu como estopim do escândalo.

Em 2005, a velha imprensa tentou provar que o tal “Mensalão” era “o maior escândalo da história do Brasil”. Franklin Martins era comentarista da Globo. E eu era repórter da Globo em São Paulo. Na redação, era nítido que os comentários de Franklin destoavam da cobertura da emissora – claramente dirigida. A Globo, em suas “reportagens” diárias – jogando de tabelinha com ACM Neto e outros gigantes da moralidade – martelava o “Mensalão” como fato consumado. Aí Franklin entrava no ar e dizia que o “Mensalão” precisava ser “provado”. Foi um dos motivos que levaram Ali Kamel a rifar Franklin no início de 2006 – aquele tormentoso ano em que Lula conseguiria a reeleição.

Foi aquela campanha desenfreada para derrubar Lula em 2005 (e que só não foi adiante porque FHC teve a brilhante idéia de “sangrar” o presidente até a eleição, para evitar o “trauma” de um impeachment)  que levou o deputado Fernando Ferro (PT-PE) a ir à tribuna e cunhar a expressão “Partido da Imprensa” para se referir à máquina que tentou derrubar Lula. Paulo Henrique Amorim aproveitou o discurso de Ferro, e acrescentou “Golpista” à expressão (uma referência histórica ao papel que a mesma imprensa cumprira em 1954, no suicídio de Vargas; em 1961, no veto à posse de Jango, só garantida após a resistência de Brizola com a Legalidade no sul; e  em 1964, com o golpe largamente apoiado pela velha mídia). Assim, nasceu o PIG.

O PIG foi a mãe do “Mensalão”. E Bob Jefferson, o pai. Bob Jefferson agora nega o “Mensalão”. Quem vai pedir o teste de paternidade? A “Folha”, Kamel, ou Diogo Mainardi (o colunista fujão)?

Quando escrevi sobre essas coisas no twitter, recebi da doutora Janice Ascari um puxão de orelha; ela lembrou que todo réu, sempre, nega o crime de que é acusado. Bob, denunciante, é também réu. Por isso, não haveria nada de surpreendente na negativa de Bob. Ele poderia ter negado participação sem negar o esquema. Seria uma forma de evitar a desmoralização. Não o fez.

Juridicamente, a doutora Ascari pode ter razão. Mas politicamente, a negativa de Bob é devastadora. Qual a prova de que o “Mensalão” existiu? A entrevista de Bob a Renata Lo Prete na (sempre ela) “Folha”, em 2005. Bob agora negou o “Mensalão”. Politicamente, fica mais evidente a operação golpista que acompanhei de perto em 2005, e à qual tenho o orgulho de ter resistido nos difíceis dias finais na campanha de 2006 (manobra patrocinada pelo PIG, com ajuda do delegado Bruno – desmascarado num histórico post de Azenha, e numa histórica reportagem de Raimundo Pereira na “CartaCapital”). Tudo isso ocorreu em 2005/2006.

Em 2010, Lula estava muito mais forte. Mas a Globo e seus parceiros ainda tentaram operar no limite da irresponsabilidade: a “bolinha de papel” de Ali Kamel e Molina foi a tentativa de repetir a história e dar a eleição aos tucanos. Mas dessa segunda vez a operação soou como farsa.

Em 2005/2006, a situação foi muito mais séria. Essa história, em detalhes, ainda está por ser melhor contada. Ainda mais agora que Bob – o tenor do “Mensalão” – jogou por terra a encenação.

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Uma resposta para E o mensalão nunca existiu..

  1. José Paulo Lopes disse:

    Sei que esta postagem é antiga. Mas, concordo com você plenamente. Pergunto: porque Roberto Jefferson foi cassado? Outrossim, por que o PT daria mensalão para que seus próprios integrantes votassem a favor do governo? Por que beneficiaria com propina Roberto Brant, na época parlamentar do PFL agora DEM, adversário político do PT? A distribuição de cargos entre os partidos da base aliada já tinha sido feita. Então, não se encaixa que o governo tivesse que comprar integrantes de partidos da base aliada para votar a seu favor. O que me causa asco nisto tudo, é que o Ministério Público Federal com base em mentiras e pressionado pela mídia, absurdamente, entendeu que Dirceu era o chefe de uma quadrilha. E o povo acredita. Pode até ter havido uma jogada de Marcos Valério para que suas agências de publicidade concorressem e ganhassem as contas de publicidades do governo ou do PT. Ou seja, obter facilidades para tal. Mas, pelo que se sabe, suas agências até então, antes do escândalo concorrem em algumas licitações, ganharam algumas e perderam outras. Se de fato existia um esquema neste sentido, não chegou a existir porque o escândalo estourou antes. Esse negócio de empréstimo fictício é outra falácia. Houve sim empréstimo, tanto é verdade que foi cercado de garantias pelos bancos credores inclusive com avalistas. Nisto entrou Marcos Valério. Creio que deu para entender.
    Agora não esperemos isenção do STF. Será como um tribunal de Nuremberg. Será como o linchamento midiático do jovem Lindemberg assassino de Eloá.

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