TRABALHO

O trabalho que o Marx defendia para mulheres e homens era criação.

A independência e autonomia do trabalhador permite a ele ser autor de seus movimentos, de seu corpo, sua força, sua habilidade, sua capacidade de planejar, sua criatividade e sua imaginação.

Para Winnicott, a criação define o estar no mundo do ser humano. É o gesto, o primeiro movimento corporal intencional do bebê, um ato inaugural de criação. O ser humano cria a si mesmo em cada gesto, em cada intenção. Tudo é novo e por isso independente e autônomo.

Porém há uma ordem social que se organizou de tal forma que nos rouba a independência, a vontade e as ilusões, simplesmente nos negando nossos direitos. Não só tenho que trabalhar para os outros para poder comer, vestir e morar, como também para consumir cultura.

Convencem-me de que sou feliz, porque tenho algum dinheiro para gastar completamente todo mês ou algumas dívidas… que, afinal, são o que me garantem esse estilo de vida que é só o que sei levar, mas que não tenho dinheiro para manter.

É preciso que eu pense que estou feliz a cada compra pelo menos, para que esqueça os planos, os sonhos, a pessoa que eu criei para mim na adolescência e da qual desisto todo dia um pouquinho…

Não tenho tempo.

Não tenho tempo porque entreguei todo o meu tempo àqueles que me negam a comida e a cultura. Continuo sozinho, não tenho tempo de ver os amigos…

Quando os vejo, não temos assunto. Todos querem esquecer que entregaram sua capacidade de trabalhar, sua criatividade e sua alma para outras pessoas enriquecerem…

Não importa a escala em que eu estou na hierarquia… Sou chefe de quê mesmo? Há sempre chefes acima, que ganham mais e gastam mais, mas também entregaram seus sonhos…

Trabalho é criação.

É o único meio de chegar à realização, à satisfação, ao respeito ao adolescente que fomos, à criança solidária que fomos.

O trabalho está presente sempre que o gesto criador estiver presente.

Mas o trabalho é comunicação porque deve inserir-se na massa humana de trabalho, ele participa da história.

Só que, antes disso, ele se relaciona com o próximo, ele se faz na rede real de pessoas reais que participam de uma comunidade e trocam saberes.

Retomar o trabalho, eis a pequena revolução a meu alcance: “meu trabalho é meu”.

Decido conscientemente, com liberdade e alegria, como vou agir no mundo.

Como?

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