O desafio da igualdade

Uma das características da internet que mais empolgam os blogueiros é justamente a igualdade, o fato de que todos produzem conteúdo ou podem produzir, sem pedir licença ou se submeter a ninguém.
Isso aparecia no encontro (o Encontro dos blogueiros progressistas) a cada momento, todos nós estavamos super empolgados com a liberdade de expressão finalmente acontecendo e se fazendo visível.
Mesmo assim, houve pouca presença dos movimentos sociais nas mesas e, segundo a avaliação de algumas pessoas, também no evento como um todo.
A presença de Débora da Silva, do movimento Mães de Maio, foi extremamente importante e emocionante.
Mas manteve certo caráter de exceção.
A Débora foi um desafio para os preconceitos dos blogueiros bem formados e bem falantes. Sua fala em alguns momentos parecia sofrer com a necessidade que ela tinha de igualar-se e alcançar terrenos não seguros.
Mas o que ela estava falando só ela podia falar, só ela falando é que fazia o sentido se encontrar de verdade com o som – não adianta ficar parado atrás do computador, precisa ir para a rua, a mobilização é nas ruas que ela se efetiva e ganha realidade social.
É nesse sentido que a tutela dos movimentos sociais por parte das camadas mais favorecidas é mesmo ruim: nenhuma voz pode falar por outra, ninguém deve pretender ser porta-voz do outro.
Porque junto com a defesa dos supostos interesses daquela comunidade (como diria a Folha) a voz que se levantou substitui a voz da comunidade, a voz das pessoas silenciadas pela nossa realidade desigual.
E as vozes silenciadas continuam silenciadas e as vozes acostumadas a falar, continuam falando…
E é aí que não tutelar também é ruim, no sentido de que as camadas favorecidas, as pessoas que estudaram em escolas particulares, que têm acesso à estrutura privada de consumo, inclusive ao consumo de cultura, tomam pra si a palavra. Suas regras excluem os excluídos.
Acho que o encontro foi democrático, os grupos de trabalho foram planejados para dar voz a todos e cumpriram bastante bem essa função, pelo menos foi a impressão que eu tive. Foram criadas formas para que as vozes possam ser ainda mais ouvidas nos futuros encontros regionais que antecederão o grande encontro nacional…
Mas o desafio da igualdade é ainda maior e ainda vai exigir de nós muitos embates com nossos estereótipos e preconceitos.
Para que a ação se paute mais na escuta e menos nas ideias que já estão prontas na gente…

Acesse o Mães de Maio
Veja texto do Azenha sobre uma internet mais igualitária
Veja o texto de Hugo Albuquerque sobre o encontro, no seu blog O descurvo
Veja o ótimo balanço do Miro, nosso presidente do Barão de Itararé.
E a análise do Tsavkko, bem completa (tem até foto)…

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Sobre CCBregaMim

Classe média. Não sai da gente. Mas melhora, se a gente estiver disposta a abandonar nosso lugar na opressão.
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